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| • No dia 3 de novembro de 2005 a canção "Ninguém faz idéia", parceria de Ivan Santos com Lenine, ganhou em Los Angeles o Grammy de "Melhor canção brasileira em língua portuguesa". Nesse dia muita gente leu pela primeira vez seu nome em muitos jornais brasileiros e alguns da América. Mas Ivan Santos tem atrás de si uma longa carreira, que começou nos anos 70 na Paraíba, Nordeste do Brasil. Grampeado - um CD de "World Pop" ”Misturar rítmos brasileiros aos outros rítmos do planeta não é nenhuma novidade. A maneira como essa mistura se dá é que pode tornar uma música interessante“. Exatamente por esse motivo as canções do novo cd de Ivan Santos, ”Grampeado“, são interessantes; elas são o resultado de uma mistura sincera e emocionada. Uma origunal reinvenção de sons e palavras. Canções contemporâneas e de cara própria mas conectadas à história da música popular universal. Música que escuta-se uma vez e torna-se necessária. Ivan trabalha para que a música brasileira continue sendo ponto de encontro de várias culturas. Na base das composições estão os rítmos do Nordeste e o samba. Sobre essa base, arranjos de sonoridade original. E o ouvinte sente-se próximo desse ”som desconhecido“ desde a primeira audição. Vários convidados contribuem para tornar essas canções ainda mais interessantes. Os temas das letras são como as formas: diversos. Paraibano
de Pernambuco No entanto, entre esses dois nascimentos houve uma pausa marcante, um entreato radical: dois anos em São Paulo. A metrópole fria com seus homens de gabardine e chapéu de aba caída - que até hoje ele lembra em preto e branco - como se a cidade fosse um gibi noir. A curiosidade atiçada pelas leituras infantis e a certeza, confirmada pelos tempos em S.Paulo, de que havia outros mundos, atiçaram a vontade de viajar no adolescente. No começo eram trips com o coral da escola, o time de basquete ou com a universitária Operação Mauá. Depois vieram as viagens com os grupos de teatro e por fim com os grupos de música. 1969 - Conjunto de iê-iê-iê da Escola Técnica Federal
da Paraíba. Repertório: versões dos Beatles, Jorge
Ben e músicas de São João. Ivan toca baixo. Aí veio a contracultura, o underground pessoense, o contato com as coisas do inconsciente, os filmes da sessão de arte, os shows de artistas nacionais no Teatro Santa Roza. O encontro com Pedro Osmar, Alex Madureira, Mozart, Jarbas Mariz, Bráulio Tavares, Fuba, Aranha, Zé Ramalho. Depois veio o pessoal de Recife: Paulo Rafael, Zé Rocha, Lenine.
Nos primeiros 6 anos de Rio dividiu música e casa com os parceiros e amigos Alex Madureira, Lenine e o escritor Júlio Ludemir. Pouco depois entra em cena Lula Queiroga. Junto com ele, Bráulio Tavares e Lenine, Ivan formou o grupo de compositores-cantores Wolf Gang (a gang do lobo). Hoje esses amigos ocupam posições significativas na cultura brasileira contemporânea, Ivan migrou, mas as parcerias continuam ativas; nos cds de Lenine "Olho de Peixe", "Falange Canibal", "Lenine inCité" e no mais recente "Labiata" há exemplos disso ("Do it", "Ninguém faz idéia", Sonhei, Magra). "Do it", inclusive, foi uma das 3 indicadas ao prêmio de "melhor canção" no "Prêmio Tim de Música" de 2005. No
final dos 80, enquanto foi roadie (ele e Berna Ceppas) de banda de rock
pós-adolescente, compôs com Big Abreu e Dodo Ferreira alguns
dos hits do João Penca e seus Miquinhos Amestrados. Foi a época
de aprender rockabilly e palhaçada. Isso resultou em músicas
gravadas por Erasmo Carlos, Léo Jaime e Paula Toller, abertura
e trilha de novela da Globo (Sexo dos Anjos e Vamp), e até nas
canções do Splish Splash - pastiche musical tipo-Grease
estrelado por Cláudia Raia. "Uma Banda chamada Cavallo" foi o último projeto do qual tomou parte antes de sair do país. Aí a idéia era interpretar de uma maneira "funk" suas composições não obrigatoriamente "funk". Os músicos eram: Antônio Saraiva, Newton Cardoso, Berna Ceppas, Marcelo Lobato, Zé Bruno e Nelson Duriez. Ivan tocava uma das guitarras e cantava.
A ida para a Alemanha é uma espécie de desconstrução cultural e artística a la Miró. Uma extrema insatisfação e o chute no pau da barraca. É reaprender a falar, reaprender a ser visto e escutado. É se ver de outro ponto de fuga. É o corte do cordão umbelical pela terceira vez na tentativa de corrigir o foco do quadro do mundo. Onze
anos on the road. Quase toda a Alemanha, parte da França e Suiça.
Quase todos tipos de palco e público. Colegas da África,
Balcãs, Caribe, os ingleses, os asiáticos, os russos. E
mais as viagens pela Turquia e por outras culturas dando seqüência
às viagens pelo Brasil. Fazer música em todos os lugares
é meio como fazer música em lugar nenhum, a exata localização
geográfica perde sua grande importância. Daí o título
do novo cd: Songs from Nowhere. Entretenimento bem humorado e novas informações são os ingredientes básicos da receita desse show. Ao vivo a banda toca, além das canções do cd, outras composições de Ivan e algumas recriações de músicas tradicionais. O baião e o coco (rítmos tradicionais do Nordeste) estão na base de quase tudo, mas acontece muito mais do que isso. O beat do Funk, do Reggae e do Rock podem ser percebidos naturalmente misturados às batidas brasileiras. Sua banda não tem um "som próprio", mas "vários sons próprios". Ao vivo os músicos revezam-se em diferentes instrumentos conduzindo o público através de várias atmosferas sonoras. É um espetáculo ritmicamente muito rico que nunca cai na monotonia. Foi isso o que se viu nas apresentações por quase toda Alemanha e países como França, Suíça, Áustria, Turquia, Croácia... |
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Copyright
© 2010 Ivan Santos |
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